DEVOLUTIVA: SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA.

O grupo PET Produção e Política Cultural fez parte da construção, realização e pós-produção da IX Semana da Consciência Negra realizada no período de 20 a 26 de novembro de 2017, no município de Jaguarão localizado na fronteira sul do Brasil.

As reuniões de construção da Semana da Consciência Negra iniciaram no mês de outubro no Ponto de Cultura Clube Social 24 de Agosto, junto com Ilê Axé Mãe Nice D’Xangô, Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas –  Mocinha (NEABI), o PET de Produção e Política Cultural, Licenciatura em História da Unipampa-Jaguarão e alguns representantes do poder público. Cabe ressaltar que as edições anteriores eram realizadas pelo Ponto de Cultura Clube 24 de Agosto, porém neste ano, contou também com a participação destes grupos. As reuniões semanais com o coletivo proporcionaram a definição do tema: “Juventude Negra reconhece teu espaço”, além de uma programação diversificada, iniciando no dia 20 de novembro com a inauguração da Galeria Intercultural Magliani, a Marcha da Consciência Negra e o I Encontro de Mulheres de Fronteira. Nos demais dias, a comunidade pode também participar de oficinas, palestras e rodas de conversa que foram articuladas com professores, alunos, yalorixás, artistas locais e convidados de outras localidades para compor o evento.

Esta edição foi marcada também pela atividade cultural de encerramento que ocorreu no dia 26 de novembro, numa linda tarde de sol na Praça das Figueiras, também conhecida como Praça do Desembarque, repleta de atividades, ativismo e resistência. A Praça do Desembarque foi escolhida por ser um território negro, durante o século XIX a praça servia como ponto de comércio de mercadorias que chegavam de navios e também de pessoas negras oriundas do continente africano que viriam a ser escravizadas e serviriam como mão de obra principalmente para o charque e para as tarefas domésticas da burguesia. Para tanto vemos a importância deste local que deve ser ocupado e ressignificado, tendo em vista o seu contexto histórico-social, que traz o povo negro desumanizado e invisibilizado perante a sociedade brasileira, com o intuito de resgatar e mostrar a importância desse espaço para a região e principalmente para a população negra. Tal momento contou com a participação de artistas do Brasil e Uruguai, como Capoeira Ararirê, Abi Axé, Cia Dança e Estilo, Grupo Tabla, Filhos de Tereza, Susana Mendez e Escuela de Candombe de Melo (UY). Esses artistas potencializaram um momento de compartilhamento identitário com o público de suas manifestações artísticas afrodescendentes. O mais impressionante foi o público. A cidade até o momento nunca havia vivenciado tantas atividades “ao mesmo tempo-agora”, teatro, música e dança se fizeram presentes, assim como o público que se manteve firme e atento.

Esta Semana da Consciência Negra teve um grande êxito, devido a uma organização coletiva e horizontal, e um trabalho de produção cultural que se mostrou de extrema importância, tanto para a formação pratica dos discentes, e comunidade envolvida, percebendo-se que mesmo com atividades paralelas e desvinculadas à semana, o evento foi um sucesso, conseguiu- se prender a atenção do público e terminar com altas expectativas para o próximo ano. Tal percepção está no fato de haver crianças, jovens, idosos, pessoas dotadas de pluralidade e diversidade cultural, atentas a todas as apresentações. Foi notório também a participação do público passante, este público não tem como destino o evento em si, mas apreciou rapidamente por identificação ou curiosidade pelas atrações do evento.

Mesmo com problemas referentes a subsídio financeiro para a execução do evento, as atividades aconteceram, e só foram realizadas por conta do esforço e de muita luta das entidades e militantes em reafirmar a relevância e importância de promover eventos neste sentido na cidade fronteiriça. Vale ressaltar que a Semana contou com a criação de uma identidade visual, criação de página do evento e divulgação nas redes sociais, um diferencial significativo, afinal as oito edições anteriores não continham tal mecanismo de divulgação e fruição. Tais atividades foram idealizadas de modo a re(existir) a  cultura negra dento do contexto jaguarense.

A equipe esteve organizada, alinhada, determinada e disposta para que o evento se desenrolasse de forma agradável e harmoniosa para todas e todos. Alunos e professores universitários, pessoas de religiões de matriz africana – e de religiões diversas, transeuntes e munícipes, todxs reunidxs com um único propósito: festejar a cultura do povo negro!

Esse evento evidencia a importância da troca de conhecimentos e saberes no fortalecimento da cultura afrodescendente da fronteira sul e do Ponto de Cultura Clube Social 24 de Agosto. O Clube é um dos precursores no que se refere à potencialização e disseminação da cultura negra, identificado como um clube negro pela população ao mesmo tempo que promove a elevação da autoestima da comunidade em geral, mostrando o protagonismo dessa população que resiste e mantêm-se organizada visando uma sociedade anti-racista e igualitária, estimulando assim, o bem estar social referente aos problemas étnico-raciais que perduram na nossa sociedade até os dias de hoje.

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