Devolutiva 2° Semana de Formação, Cultura e Trabalho – SESC/SP

A petiana Athemis Fonseca representou o grupo PET-PPC na 2ª Semana de Formação, Cultura e Trabalho promovida pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc que aconteceu em São Paulo do dia 16 ao dia 18 de outubro de 2018.

A primeira atividade intitulada “Educação e Dinâmica social, entrelaces entre cultura e educação” apresentada pelo ex-secretário de cultura da cidade de São Paulo e professor da ECA/USP, Carlos Augusto Calil. Foi dado um panorama histórico a respeito das políticas culturais no Brasil passando pela Era Vargas com Mário de Andrade, pelo governo Collor e a primeira extinção do MinC. Compartilhando um pouco da sua atuação na Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo, como também sua atuação no Centro Cultural de São Paulo. Algumas questões levantadas foram a importância da transversalidade na cultura, unindo as práticas sociais, como esporte e lazer, para que a cultura seja mais ativa na vida em sociedade. A necessidade da cultura ser entendida pelo Estado como um campo de desenvolvimento humano que necessita de investimento tanto quanto a área da ciência e tecnologia. E ainda a apropriação dos espaços culturais por parte da população é um fator indispensável para se fazer política cultural, assim recuperando a importância das bibliotecas públicas e centros culturais como espaços de educação e sociabilidade.

Neste mesmo dia aconteceu a mesa “Experiências e desafios para formação livre na área cultural”, onde foram apresentados projetos sociais de formação livre a crianças, jovens e adultos, os projetos apresentados foram o Instituto Querô de audiovisual que atua no litoral sul paulista apresentada por Tammy Weis e a SP Escola de Teatro que atua no centro da cidade de São Paulo apresentada pelo seu diretor executivo Ivam Cabral.

O segundo dia de atividade contou com a presença da consultora e pesquisadora em políticas culturais Isaura Botelho, “Formação, política cultural e desenvolvimento”, sua abordagem para a temática foi a partir da organização das instâncias federais, estaduais
e municipais. Chamando a atenção para o município como principal veículo de tensionamento entre sociedade civil e Estado. Isaura Botelho, levando em consideração nosso atual momento político, coloca também duas questões para reflexão: O que podemos propor neste atual cenário de retrocesso?; Como não desmobilizar-se?

Seguindo então para a mesa “Desafios da formação na área artística e cultural e suas respectivas cadeias produtivas”, onde o circo foi representado pela Arena Circus e pela Circo Escola Diadema, sendo apresentada as escolas, sua atuação formativa e suas necessidades ante a falta de políticas públicas de cultura que contemplem as especificidades do circo, como por exemplo a falta de terrenos disponíveis para os circos itinerantes. Em relação às escolas foi colocado a falta de editais que contemplem pesquisa e formação.

O terceiro e último dia foi marcado pela presença do professor e pesquisador da UFBA, Antônio Albino Canelas Rubim. Sua abordagem foi acerca das formas de financiamento da cultura no Brasil, onde o mesmo chamou a atenção para a complexidade da cultura e do seu campo. Alguns dados foram levantados afim de ilustrar algumas questões como o fato de 97% dos beneficiados pelas leis de incentivo serem pessoas jurídicas. Albino Rubim mostrou também que alguns estados se encontram com as leis de incentivo e fundo de cultura inativos, o que nos traz grande preocupação devido a diversidade cultural presente em nosso país. Ele tensiona que o campo cultural deve ter uma luta continuada por mais recursos e por outros modelos de financiamento que contemplem um maior número de indivíduos. E que apesar do momento político ao qual vivenciamos atualmente onde há muito inimigos políticos da cultura há-se também muitos apoiadores do campo cultural e por isso é necessário encontrar estes pontos de conexão para tensionar estas e outras demandas do campo da cultura.

A mesa da dança foi conduzida pelas experiências de Gal Martins da Cia. Sansagroma e Firmino Pitanga da Cia. Treme Terra, ali surgiram questões como a formação do sujeito periférico, a masculinidade negra periférica e a importância do território na arte, fazendo referência a esse sujeito periférico que busca formação em dança nas zonas centralizadas das cidades evidenciando a partir daí a violência simbólica e às vezes até física que esse sujeito sofre quando essa formação não é sensível com as subjetividades dos indivíduos, reforçando a ideia de que todo corpo é político e que não se faz possível separar corpo e mente, pois são essas subjetividades que dão potência ao fazer artístico. A mesa sobre teatro foi conduzida por Elder Sereni Ildefonso professor na ETEC das Artes, Lígia Cortez do Célia Helena Centro de Artes e Educação, e Luiz Fernando Marques da Escola Livre de Teatro de Santo André e Grupo XIX de Teatro. A mesa trouxe questões bem semelhantes às da dança, resgatando a essência do teatro de arena como um fazer teatral engajado e político. E que o teatro está representando as realidades e dessa forma revela os sistemas sociais, preconceito, exclusão, violência etc. O Luiz Fernando Marques traz como exemplo duas artistas que participaram da Escola Livre de Teatro de Santo André e usam sua arte de forma política, causando rupturas nos sistemas vigentes, Linn da Quebrada e Liniker.

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